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Relato de parto domiciliar – Mãe Nathalee

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Lindo relato de parto domiciliar, rápido e com os pais pegos no susto! Confiram o relato da mãe Nathalee sobre o nascimento de sua filha Olivia!

“Vinte dias se passaram. Acredite, parece que foram meses. Aproveito uma das sonecas de Olivia pra contar como ela decidiu vir ao mundo. Sim, ELA decidiu quando e como queria nascer. E surpreendeu todos nós! Eis meu relato de parto, porque SIM, EU PARI!!

Com 32 semanas eu já havia perdido meu tampão (que se refez depois…) e na consulta descobri que já estava com 2cm de dilatação. Sabe o que isso significa? Nada! Continuei minha vida normalmente. Fiz pilates, a feira, organizei a casa e as semanas foram passando. Até que, no dia do 4 de março, depois de um dia super normal – almocei na casa da minha avó, voltei e fiquei vendo TV – às 18h a minha bolsa estourou!

Então, eu sempre imaginei que a bolsa estourando era água q não acabaria mais. Pro meu espanto só senti um líquido quentinho segurei com a mão e corri no banheiro. Quando sentei no vaso, saiu mais um pouco… acredito que um copo mais ou menos… achei pouca água e fiquei na espera de vir mais. Provavelmente era apenas uma rupturazinha, coisa besta, ô ilusão.

Minha médica havia dito que quando eu sentisse alguma coisa, eu ligasse. Bem, eu não estava sentido NADA até então. O que eu fiz? Não liguei. Liguei apenas pra doula, Heloa, que me orientou a tomar banho quente e relaxar porque eu provavelmente teria uma noite intensa. Quando as primeiras contrações viessem, eu ligaria pra médica. Mandei um recado pro marido vir logo pra casa. Quando Rafael chegou, por volta das 18:30, eu já tinha sentido a primeira cólica. Sim, uma cólica a mesmo.. nada de uma dor fora-do-comum-eu-morrer. Rafael começou a marcar as contrações, para sabermos se o tp estava caminhando ou era alarme falso.

Gente, nessa hora você não pensa, então não liguei pra médica. Tava na partolândia e não sabiam. Heloa estava a caminho, assim q ela chegasse, ela ligaria e a gente veria o que fazer.

Pois bem, as contrações vinham a cada 2 minutos e duravam 40 segundos em média. Optei por ficar de 4 apoios, em cima da cama. Quando a contração passa, a sensação de relaxamento é incrível. Você quer deitar e dormir. Mas eu não conseguia. Rafael já me avisava: faltam 30 segundos pra próxima. Eu já me preparava e pensava: vem bebê, vem filhota pro mundo! Quando a dor vinha, Rafael sempre dizia que eu podia gritar se quisesse, mas não era o que eu sentia. Eu gemia da dor da contração, que vem devagar e vai aumentando. Não era uma dor de dar desespero. Tá, eu me perguntava como alguém escolhe um parto normal – mas quando a contração passava eu era lembrada do porquê. Eu sentia, sabia o porquê.

Heloa sempre me falou que quando a gente se entrega ao parto a coisa flui muito melhor, e foi o que tentei fazer. Orei e pedi ao Senhor que me desse o trabalho de parto que eu pudesse suportar e que fosse o melhor pra nosso bebê, mas que tudo fosse de acordo com a vontade Dele. E assim foi. Depois de mais ou menos 23 contrações (marcadas pelo programa do celular) eu pedi pra descer da cama. Já não aguentava mais a marca do colchão no joelho.
Nessa hora eu fui pro chão. coloquei a toalha, vários travesseiros e continuei em 4 apoios, de costa pra porta. Achei a posição mais doida do mundo…

Rafael olhou e disse “eu acho que tem algo querendo sair já.” Nessa hora a ficha caiu: tem que ir pra maternidade.
Só que depois da contração, eu decidi me tocar e senti a cabecinha de Olivia! Foi uma mistura de susto, encantamento e tudo que se pode sentir! Nessa hora eu só disse “Amor, ela vai nascer aqui. não dá pra fechar as pernas e ir pra maternidade mais não!!”
Rafael só perguntou o que faria e eu disse: “Segura ela quando ela sair. Só isso.”

Adrenalina a mil.
Expectativa pra próxima contração.
Nada de Heloa chegar.

Mas Olivia tava nem aí. Quando a contração veio, sua cabecinha saiu! Eu não conseguia ver, mas consegui sentir. (depois Rafael contou que saiu a cabeca toda, e ele já conseguia ver o rostinho dela)

Na contração seguinte, ela veio ao mundo! Assim, suavemente, em 2 contrações. As 19:50h. Recebida pelos braços do papai, com uma circular de cordão e abrindo o berreiro total!
Só ouvi Rafael dizer “é uma menina”!
Eu me virei, ele me entregou minha filha, tirei o cordão do seu pescoço e a coloquei no colo. Cheirei, beijei, abracei, acalentei, amei minha filha. Do jeito que ela saiu de dentro de mim. Melhor cheiro do mundo! Mães, cheirem seus filhos antes deles serem lavados. Tem cheiro de céu, tenho certeza!

Olivia ficou nos meus braços, parou de chorar e mamou. A gente tava sem querer acreditar!

Ela havia decidido nascer num parto em casa, totalmente natural. Foi lindo, gratificante, realizador. Não foi o parto que sonhei, que desejei e que programei. Mas foi o parto que tive. Foi o parto de Olivia. Foi como e quando ela quis vir ao mundo, com 38 semanas e 4 dias.

Heloa chegou, ligamos pra médica ( que estava em Fortaleza, então se eu tivesse ido pra Clim eu teria parido com o plantonista, quero nem imaginar) e nos orientou a ligar pro Samu, pra cortar o cordão e ir pra maternidade. Meu sangue é negativo e Rafael é positivo, então precisávamos saber o tipo de Olivia, pois se ela fosse positivo eu precisaria da vacina.

Assim que o Samu chegou, cortaram o cordão que já havia parado de pulsar. Olivia ficou nos meus braços o tempo todo. Liguei pra mamãe, contei calmamente que Olivia havia nascido em casa e que estava tudo bem. Ela chegou, pegou as coisas e fomos removidos pra Clim. A placenta saiu lá. Eu tive uma laceração simples, só de pele e que não precisou de pontos. A pediatra chegou para receber Olivia. Ela não passou por nenhum procedimento desnecessário. Foi apenas pesada, medida e examinada – perfeitamente saudável! Rafael estava do lado dela, lá dentro do berçário. De lá foram juntos pro apartamento. Eu cheguei logo em seguida. Olivia mamou e dormiu por quase 10h seguidas. Eu não consegui pregar o olho. A adrenalina ainda tava correndo no sangue. Comi, comi bastante. Me lembrava o tempo todo de tudo que tinha acontecido e como tinha acontecido. Ainda parecia tudo um sonho. Mas ela estava ali, ao meu lado. E o marido, parteiro, exausto.
Depois de um trabalho de parto tsunâmico, com 1:10h de duração, sem tempo pra fotos, filmagem, velas ou música, nós tivemos a nossa primeira noite a três, juntinhos.

Na minha mente, eu olhava e só cantava pra ela: “Bem-vindo meu novo ser, cercado de proteção. De tanto amor, tanta paz, dentro do meu coração. É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar. É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar.”

E só dava pra sentir amor lá dentro.

PS. Eu não indico, apoio ou incentivo parto domiciliar desassistido. Parto Domiciliar deve sempre ser planejado e ter uma equipe presente. O meu parto foi planejado para ser no apto do hospital, mas Olivia teve pressa e nós fomos imensamente abençoados que tudo deu certo!”

Nathalee

Quer compartilhar sua experiência de parto aqui? Envie para gisele@soumae.org

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