Literatura Infantil: Mamãe, lê de novo?

Hoje temos participação da Maria Amélia, livrólatra assumida, leitora contumaz, adora escarafunchar prateleiras em busca de livrinhos especiais: com histórias inteligentes, ilustrações interessantes e edições caprichadas. Mãe de menino, tenta incutir no pequeno o amor pelos livros – mesmo escondendo alguns exemplares do filho (para o bem deles mesmos, os livros!). Conhecida também como “Dona Livrinho”, por conta do instagram blogdolivrinho. Confira!

Meu filho completou 2 anos há alguns dias. Desde então, fizemos uma relevante mudança: ele saiu do berço e agora dorme numa caminha de “menino grande”, que consiste em um colchão (o mesmo de sempre) sobre um fino tatame japonês. Claro que ficou muito mais trabalhoso colocá-lo pra dormir. Se antes ele ficava literalmente preso no berço, agora tem liberdade pra levantar e ficar pulando nas almofadas ou mesmo pra fugir (!) do quarto e ficar me provocando com aquela carinha fofa: “acordei, mamãe!”.

Enfim. Mas isso também provocou uma mudança muito positiva na nossa rotina: se antes eu contava histórias pra ele – eu sentada nas almofadas e ele no berço, longe de mim – agora lemos juntos: ele deitadinho, eu ao lado, livrinho nas nossas mãos. Vou lendo e apontando as imagens, conversando e explicando além da história. É uma delícia. E a cada vez que termino o livro, ele pede: mais! E lá vou eu repetir a mesma história, muitas e muitas vezes. Claro que ele faz isso pra estender esse momento tão gostoso, em que ficam de fora do nosso cantinho todas as preocupações adultas. Ali só cabem nós dois e nossas histórias. É tão bom!

E o livro da vez é “O Vento”, de Mary França e Eliardo França (quem aí lembra da Coleção Gato e Rato?). Mesmo com frases curtas e desenhos simples e limpos, sempre tem algo pro meu menino descobrir… Ontem mesmo, pro meu deleite, ele resolveu que iria “ler”. Pegou o livrinho e começou a contar a história (claro, a partir de tudo que decorou de tanto me ouvir ler de novo e de novo!), usando a mesma entonação que eu dou ao texto. Morri! Achei sensacional! O mais legal é que, mesmo tão pequeno, ele já descobriu que todas aquelas informações divertidas, emocionantes, engraçadas – todas elas – estão ali, naquele objeto maravilhoso chamado LIVRO! Que mãe não ficaria orgulhosa?

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Isso prova o que estamos carecas de tanto saber: os pais devem incentivar a leitura, e isso se faz não apenas comprando caminhões de livros, mas lendo junto, separando um momento do dia pra sentar com os pequenos e dedicar-se à eles e às histórias. Esse hábito abre caminhos para a cumplicidade, para a conversa sobre assuntos espinhosos… Ler em companhia dos pais oferece às crianças um momento de calma – e tanto você quanto seu filho estarão mais receptivos a escutar-se mutuamente (depois da leitura, apago a luz e digo que vamos conversar um pouquinho. E aí falamos sobre como foi nosso dia, ressalto as atitudes dele – as que gosto e as que reprovo também, mas sem broncas, só explicando).

E né, sobre o “lê de novo, mãe!”: apesar de alguns livros infantis serem bem repetitivos, e apesar de muitas vezes termos que lê-los e relê-los inúmeras vezes, vale pensar que isso ajuda os pequenos a se apropriarem do que ouvem – é assim que eles aprendem.

E olha, sempre é tempo de começar. Não importa se você nunca fez isso antes. Não importa se seus filhos já estão maiorzinhos. Escolha com eles a leitura do dia: vá a uma biblioteca, ou livraria, ou mesmo aí na estante da sua casa. Selecionem dois ou três títulos, e curtam juntos. Vocês vão ver como é bom.

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