Maternidade transformadora: chegadas e partidas, chegam os filhos, vão-se as amigas, vêm outras…

Hoje temos participação da Fernanda Curado do blog Que mãe sou eu. Confira!

Quem nunca ouviu aquela máxima: amigo de verdade pode ficar anos sem se ver que quando se encontra é como se tivesse estado junto ontem, certo? Certo, mas sabemos também que amigo assim, desse tipo aí, a gente conta nos dedos…. em geral pra uma amizade se manter ela precisa ser regada como uma plantinha, não basta carinho, tem que ter afinidade, cumplicidade, e sim, tem que conviver…. se não a vida corre, o tempo voa, e enquanto isso você já não sabe mais sobre a vida daquele seu amigo além do que ele posta nas redes sociais, e quando menos espera está dividindo seus problemas com um colega de trabalho, ou a namorada nova do seu primo com quem você encontra toda semana… enfim as pessoas saem e entram das nossas vidas ao longo dos anos e isso não quer dizer que deixamos de gostar…. é só o caminho natural das relações. Passamos por isso quando mudamos de bairro ou cidade, saímos da escola para a faculdade, trocamos de emprego, e sim, acontece de novo quando temos filhos!

Você engravida, suas amigas organizam um chá de fraldas lindo de morrer, chega a hora e elas correm para a maternidade para conhecer sua cria, então você volta pra casa com um bebê nos braços e uma nova e desconhecida vida inteira pela frente e elas acordam no dia seguinte e vão pro trabalho como todos dias, chega a sexta e elas emendam o happy hour e já combinam a praia do dia seguinte e você? Você não sabe nem se faz sol ou chuva no planeta quanto mais em que dia da semana estamos…. Os meses passam e elas já não tem mas a mesma paciência pro seu papo de mãe de primeira viagem, já desligam o telefone depois da segunda vez que o choro do seu bebê interrompe o papo… e pra elas tudo bem que você não tem mais vida social, mas “no meu aniversário você vai né? vai ser naquele pub novo, na quinta às 22h, ok?!” ;”a maria vai deixar o filho com a mãe e vai” (só que o filho da maria tem dois anos e seu bebê tem 3 meses!) ….. Por outro lado, cá entre nós, você também já não vê tanta graça nas histórias que elas contam, já perdeu a paciência pras idas e vindas dela com aquele cara, já teve que se concentrar pra não pegar no sono enquanto a outra contava em detalhes a festa do último fim de semana (ops! pensando bem você chegou a cochilar) e também se magoou quando uma delas não cruzou a cidade depois de ter passado o sábado no MBA, pra ir ao bolinho de 1 ano do seu filho, mesmo que fosse uma passadinha, antes da night (sim! eu sou velha, no meu tempo era night! e eu não sei como chamam agora…), mas claro, você entende!

E aí enquanto você “entende” de cá e elas “entendem” de lá, você está se sentindo sozinha, e percebe que nos últimos tempos conversou mais com as mães da pracinha do que com qualquer uma das suas amigas, ou acabou se aproximando daquela esquisita do trabalho que voltou de licença logo depois de você e… caramba! ela não é tão esquisita assim, ela é até bem legal, ela te entende (de verdade!)! Ou você pode ter tido a sorte de ter amigas que tiveram filhos na mesma época que você, porque se tiveram muito antes, não se engane você já passou por isso com elas, só que estava do outro lado… mas voltando às suas contemporâneas de barriga… essas podem ser seu colo, ombro, ouvidos…. mas tem a vida tão enrolada quanto a sua, amigas que cobram sua presença como as suas, e depois que ambas voltarem ao trabalho então, vocês vão se encontrar no aniversário das crianças e olhe lá!

Mas calma, nem tudo está perdido, você não vai viver nessa bolha social para sempre…. junto com seu filho, muitas outras mães entrarão na sua vida! Conheço um grupo de mulheres que se juntou a partir de um grupo de Facebook, se reconheceram, descobriram pontos e amigos em comum, se encontraram e se tornaram super amigas. Mas mesmo que isso não aconteça com você, logo logo sua agenda será recheada pelos compromissos sociais do seu filho, ou em razão dele, aquela menina do outro departamento te chama pra festinha do filho dela que tem a idade do seu, os vizinhos com quem você e seu marido nunca trocaram mais que um bom dia cruzam com vocês na pracinha e engrenam um assunto enquanto correm todos vocês atrás dos pequenos…. sem contar a turma da escola… ah! essa galera será fonte inesgotável de programação, do pic nic à viagem de fim de ano, quando menos espera você está com eles quase todos os fins de semana e viva o whats app! E olha você (nesse caso eu mesma!) feliz da vida com a volta do chopp das mulheres na sua quinta a noite! (ok, agora é uma vez por mês, mas tá valendo!).

É claro que você vai se esforçar pra cultivar algumas pessoas em sua vida, mas você vai precisar mesmo escolher os momentos em que estará presente, e conscientemente ou não, por fim você terá escolhido aqueles com quem você vai encontrar uma única vez ao ano, mas o tempo será pouco para tanto assunto…. são aqueles tais que se contam nos dedos. E com tantos outros talvez o assunto simplesmente acabe, afinal você mudou muito, ou talvez apenas as chances não aconteçam, e eu não digo que eles não sejam seu amigos de verdade, eles foram em algum momento, mas como diz a música, a vida é feita de encontros e despedidas, chegar  e partir são só dois lados da mesma viagem….a plataforma dessa estação … é a vida…

Sou grata e feliz pelas pessoas que a maternidade trouxe à minha vida, algumas nem conheço pessoalmente, mas com quem divido sonhos (como não chamar de amiga?!), tantas outras que já conhecia mas este ponto agora comum reaproximou, e as mães da turma do Pedro, muitas das quais já são minhas amigas de verdade, além de todas vocês que me lêem, me acompanham e talvez me conheçam mais do que muitas amigas que já passaram por essa plataforma que é a minha vida…. à todas vocês dedico o texto de hoje!

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