Pedofilia – Como conversar com as crianças sobre isso?

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Uma criança tem curiosidade para saber como é o mecanismo de um carrinho de controle remoto ou de uma boneca que fala, da mesma forma como ela tem curiosidade pelo funcionamento das partes do seu corpo. E é esse momento de descoberta que precisamos conversar sobre a intimidade de cada um, e também sobre pedofilia.

Esse tema deveria estar no post “as coisas que ninguém te contou sobre a maternidade“, porque nunca nos imaginamos tendo essa conversa, não é mesmo?

O que imediatamente vem à nossa cabeça é que “meu filho é novo demais” ou “isso nunca vai acontecer com meu filho”, mas a verdade é que não existe melhor arma e garantia do que a informação sobre o certo e o errado. É preciso conversar sobre o que é a pedofilia, por exemplo.

A descoberta do corpo

Como falamos antes, em determinado momento do desenvolvimento infantil, as crianças se voltam para seus corpos com curiosidade, e isso é natural. Elas se tocam, sentem prazer, se comparam com outras crianças e por sua inocência, ficam desarmadas e tornam-se presas perfeitas.

É preciso conversar com elas sobre o “toque que faz sentir estranho ou desconfortável”, pois isso pode parecer confuso. Ao serem tocadas por outras pessoas, elas podem sentir prazer e a contradição de pensamentos e sensações podem deixá-las confusas. “Se é errado, porque eu gosto da sensação?” É preciso lembrar que na maioria dos casos, a pedofilia acontece com pessoas que a criança conhece, com crianças maiores, tios, tias, professores e etc.

Ou seja, antes de falar sobre o que é errado, deixe claro que a descoberta do corpo dela é normal, mas é algo particular e íntimo dela. Se ela tiver alguma dúvida sobre isso, deve procurar você ou alguém da confiança de vocês dois para conversar.

E como falar sobre pedofilia depois?

  • Primeira coisa: é preciso saber usar um discurso que seja compatível com a idade da criança e não traumático.
  • Você pode questionar qual seria a atitude dela frente à alguma situação. Tipo “O que você faria se o irmão mais velho do seu amiguinho lhe oferecesse um brinquedo ou doce para você tirar a sua blusa ou deixar que ele te toque de um jeito desconfortável?”
  • De forma amena e sem alardes, explique que existem regras entre as pessoas que não devem ser quebradas e explique que as vezes algumas pessoas não entendem ou não lembram dessas regras e precisam ser lembradas. Assim, se alguém fizer uma abordagem inapropriada, ele deve contar à você para que você relembre essas regras à esta pessoa.
  • Fale sobre os possíveis argumentos que ela pode ouvir como “ninguém nunca vai acreditar se você contar”, “se você deixar eu te tocar, te dou uma boneca”, “se você não deixar eu vou fazer mal à seus pais ou bichinho de estimação” e diga que nada disso deve ser levado em consideração e que juntos, vocês resolverão a situação.
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É preciso deixar claro para a criança que conhecer o próprio corpo é natural, mas que isso não deve ser compartilhado com ninguém, nem mesmo com os colegas de escola. Não dá para esperar que algum exemplo ocorra para ser explicado, é preciso prevenir. Também não se deve deixar “que a escola ensine”, pois infelizmente, as vezes o abuso infantil ocorre nas dependências de uma escola.

Deixe que a criança estabeleça um vínculo de confiança com você ou algum outro adulto que possa lhe ajudar (pai, avó, avô, médica da família…). Fique atenta ao desenvolvimento da criança, quando a curiosidade for sendo despertada. Alguns pais encontram seus filhos “brincando de médico” com outras crianças e simplesmente não sabem o que devem dizer ou fazer. Alguns acham graça.

O melhor a ser feito é falar de forma absolutamente normal e calma que você percebeu que eles estavam observando as diferenças entre seus corpos, mas que naquele momento é preciso se vestir. Depois, complemente dizendo que não se deve tirar roupas para brincar, mesmo que ficar sem elas pareça ser divertido e refrescante. Não faça um circo ou alarde. Eles devem gostar de seus corpos e descobrir como eles funcionam, mas precisam saber a descoberta pertence somente à eles, e mais ninguém.

 

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