Falta de ar na gestação - é normal ou não?

Falta de ar na gestação – é normal ou não?

A falta de ar na gravidez é muito comum, principalmente no terceiro trimestre da gestação com o aumento do bebê, o diafragma e os pulmões vão se comprimindo e com isso a expansão da caixa torácica acaba diminuindo, ocasionando então a sensação de falta de ar, que é tão comum na gravidez. Mas é preciso ficar atento pois se ela vier associada com outros sintomas, poder ser o sinal de que algo não vai bem e é preciso averiguar melhor a condição da gestante.

É preciso entender que o cansaço e a faltar de ar apesar de andarem juntos não devem ser tratados como a mesma coisa, pois eles tem sintomas diferentes e nem sempre foram ocasionados pela mesmo mecanismo. A falta de ar também conhecida como dispnéia é a sensação de dificuldade de respirar, é quando você sente que a quantidade de ar que entra em seus pulmões não é o suficiente.

Já o cansaço ou a fadiga é a dificuldade de se realizar esforços, mesmo os menores deles como escovar os dentes ou pentear os cabelos, é referido como uma falta de força ou um desânimo em realizar as tarefas que exijam algum esforço, seja físico ou mental. Outros termos também usados para descrever o cansaço são: exaustão, sonolência, fraqueza, falta de energia ou cansaço mental.

A falta de ar também pode ter um fundo emocional, muito comum em crises de ansiedade, aonde não há uma dificuldade real em oxigenar os tecidos mas sim uma sensação de falta de ar, que é comumente descrita pelos pacientes.

Nos casos aonde há falta de ar real, o cérebro recebe a informação que de que a quantidade de oxigênio nos tecidos está baixa e não é o suficiente para a sobrevivência das células ou quando há uma quantidade muito alta de CO2 no sangue, em ambos os casos é preciso quantificar essa dificuldade de oxigenação e avaliar os riscos que ela acarreta na gestação.

A falta de ar real ou também chamada de dispnéia pode ocorrer por diversos mecanismos, veja alguns que podem acioná-la:

Falta de ar na gestação
https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/paola-machado/2021/05/25/tecnicas-que-podem-amenizar-as-mudancas-respiratorias-nas-gestantes.htm
  • Quando o nível de oxigênio no ambiente em que a pessoa se encontra está baixo;
  • Quando há uma obstrução nas vias aéreas, dificultando assim a passagem do ar;
  • Quando o coração está fraco ou há alguma obstrução ao fluxo sanguíneo e não se consegue levar o sangue oxigenado para os tecidos;
  • Quando há algum problema no pulmão que impede as trocas gasosas de ocorrerem adequadamente;
  • Quando o sangue não consegue transportar oxigênio de forma adequada, como nos casos de anemia grave ou hemácias defeituosas.

Nas gestantes alguns fatores que contribuem para a dispnéia são:

  • Anemia, condição muito comum nas gestações;
  • Excesso de atividades físicas;
  • Crises de ansiedade ou stress;
  • Asma;
  • Excesso de peso;
  • Bronquite;
  • Compressão do diafragma e dos pulmões que acaba comprometendo a expansão da caixa toráxica, pois o bebê começa a ganhar peso e ocupar mais espaço na barriga por volta do terceiro trimestre;
  • Excesso de progesterona, que ocasiona o aumento da frequência respiratória.

Como já mencionado, é muito comum ter dispnéia na gestação, cerca de 60% das gestantes apresenta falta de ar que geralmente ocorre no início do terceiro trimestre que é quando o bebê começa a ganhar peso, e aumentar de tamanho, e por conta disso há uma compressão do diafragma dificultando a respiração. Nesses casos geralmente a gestante tem mais dificuldade de respirar quando está sentada, posição em que há uma maior compressão do diafragma.

Mas é preciso estar atento para não confundir a dispnéia comum da gestação com a dispnéia ocasionada por problemas respiratórios ou cardíacos, geralmente nesses casos ela vem associadas a outros sintomas, como os citados abaixo:

  • Em pacientes asmáticos, há uma piora do quadro de asma;
  • Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares;
  • Sensação de desmaio;
  • Lábios azulados ou arroxeados;
  • Palidez;
  • Dor no peito, ou dor ao respirar;
  • Tosse persistente ou tosse com sangue;
  • Febre ou arrepios.

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Nos casos da falta de ar vir associada a algum dos sintomas acima citados, procure o profissional de saúde que está acompanhando o seu pré-natal ou o pronto-atendimento para que uma avaliação física seja realizada para verificação do que está ocasionando a falta de ar. Principalmente se a gestante estiver apresentando quadros de falta de ar e estiver e possuir problemas respiratórios, ou estiver com gripe, H1N1 ou coronavírus, pois essas condições podem se agravar consideravelmente.

Mas quais as complicações da falta de ar na gestação?

A dispnéia comum da gestação não acarreta nenhum mal para o bebê, pois ela não ocasiona a má oxigenação tecidual, uma vez que o bebê recebe o oxigênio através do sangue vindo do cordão umbilical.

Mas devido a forma como as alterações sanguíneas se comportam durante a gestação, existe um risco muito alto de a gestante desenvolver um coágulo sanguíneo que vá parar nos pulmões e nesse caso pode acarretar uma embolia pulmonar, que é uma condição muito rara e também muito grave.

O que fazer para aliviar a falta de ar comum na gestação?

Quando a gestante começar a sentir dificuldade de respirar ela deve se sentar, ou se deitar de lado, se concentrar na própria respiração para se acalmar e voltar a respirar normalmente. Evitar grandes esforços, reduzir a ansiedade ( que é difícil nessa fase, mas é preciso), ter uma alimentação balanceada, manter hábitos de sono adequados, contribuem para equilibrar a frequência cardíaca e respiratória das gestantes.

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