Quando somos crianças, é normal enxergarmos nossos pais como super-heróis: eles são capazes de resolver qualquer tipo de problema, têm as respostas para tudo e podemos depositar neles toda nossa confiança. Conforme crescemos, vamos percebendo que, por mais incríveis que eles sejam, nossos pais são “gente como a gente”, que cometem erros e possuem defeitos. E percebemos que isso é super normal!

O problema é que, ao se tornar mãe, é comum dar um passo para trás: você volta a “pensar como criança” e a achar que é seu papel ser perfeita e resolver imediatamente todos os problemas dos seus filhos.

Acredito que isso acontece bastante em função da sociedade em que vivemos: hoje, existe um modelo de mãe super-heroína que é pintado por novelas, filmes e muitas vezes até na internet. O excesso de informações pode nos pressionar a colocar tudo em prática em busca de uma perfeição impossível de atingir.

Como consequência, a frustração aparece. Obviamente, ninguém consegue ser uma super-mãe o tempo todo. Alguma hora você vai falhar e precisa estar preparada para aceitar isso. Se você não estiver com a expectativa alinhada, toda essa situação pode causar um tremendo mal-estar. Ou seja, em vez de aprender com seus erros, você acaba se fechando e se martirizando.

Além disso, é possível que você esteja deixando planos pessoais e profissionais de lado por conta de uma pressão da sociedade ou medo de julgamento. É claro que esse não é o caso de todas as mães, até porque não tem nenhum problema dedicar-se em tempo integral para a maternidade. Mas é importante ter claro que isso precisa ser uma vontade sua e não apenas uma questão cultural.

Acreditar que é possível ser uma mãe perfeita também pode ser um problema para os próprios filhos. Mães extremamente perfeccionistas tendem a exagerar no cuidado com os filhos e impedem que eles percorram o próprio caminho. Isso pode fazer com que as crianças cresçam sem saber lidar com frustrações, além de limitar a criatividade dos pequenos, que entram em uma zona de conforto ao saber que sempre terão a mãe para resolver qualquer tipo de problema que surgir.

Portanto, vale à pena fazer uma autorreflexão e analisar se você não está querendo se tornar uma “super-mãe”. Nós realmente temos super-poderes: conseguimos nos desdobrar em muitas, multiplicamos o tempo, repartimos atenções e temos um amor infinito. Porém, nada disso nos impede de falhar. Aceite seus erros e tenha certeza que seus filhos vão te entender. A vida ficará bem mais tranquila para todos se você realmente compreender isso!

Esse texto foi escrito pela Fabiany Lima, ela é mãe de gêmeas, escritora de livros infantis e criadora do aplicativo Timokids.