Laqueadura – como é o procedimento? recuperação e complicações

A laqueadura funciona como um método contraceptivo permanente, é um procedimento de esterilização e sua taxa de sucesso é de 99%.

Ela causa uma interrupção no trajeto de ambas as trompas, impedindo assim que os espermatozóides cheguem ao óvulo liberado pelos ovários. A ligadura das trompas não impede a ovulação portanto não interfere no ciclo menstrual e também não tem nenhuma proteção quanto as doenças sexualmente transmissíveis.

Esse método é praticamente irreversível e por conta disso existem algumas regras para a realização do procedimento no Brasil:

  • A mulher precisa ter mais de 25 anos ou ter pelo menos dois filhos vivos;
  • Precisa preencher uma declaração escrita e assinada contendo a manifestação de que a paciente deseja se submeter ao procedimento de esterilização e também deve conter na declaração a menção de que a paciente foi devidamente informada sobre as consequências do procedimento;
  • É realizado uma reunião com uma equipe multidiscplinar (contendo psicólogos, médicos, assistente social, etc) com o intuito de ajudar a paciente a refletir sobre sua decisão, após essa reunião é dado um prazo de 60 dias para se iniciar o procedimento.

Todas essas regras existem porque a taxa de arrependimento das pacientes é de cerca de 10% e a reversão da laqueadura é muito difícil. Portanto todos esses passos são realizados com o intuito de que a paciente esteja ciente da decisão que está tomando, para não haver “arrependimentos” futuros.

Como é realizado o procedimento de laqueadura?

O sistema reprodutor feminino é composto basicamente por dois ovários, duas trompas de Falópio, um útero e uma vagina. As trompas de Falópio, também conhecidas como tubas uterinas, são uma espécie de tubo que liga os ovários ao útero. A cada ciclo menstrual um dos ovários libera um óvulo para ser fecundado. Este óvulo é então lançado em direção a uma das trompas, e fica lá à espera da chegada de um espermatozoide para uma eventual fertilização. Assim para evitar a fecundação, é realizado um corte nas trompas e depois se amarra as suas extremidades, ou simplesmente coloca um anel nas trompas, para evitar que o espermatozóide vá de encontro ao óvulo.

A laqueadura é considerada um procedimento cirúrgico simples, dura em torno de 40 minutos a 1 hora, e é realizado pelo próprio ginecologista. Para a realização desse procedimento pode ser feito com um corte na região abdominal (processo mais invasivo) ou pode ser feito pequenos furos na região abdominal que permite acesso as tubas (processo menos invasivo).

A laqueadura também é realizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas só é permitido para mulheres com mais de 25 anos ou mulheres que tenham mais de 2 filhos e que não desejem engravidar mais. 

Atualmente existem três opções para realização da laqueadura tubária: via laparoscópica, via mini-laparotomia ou via histeroscopia.

Laparoscopia

A laqueadura por laparoscopia é um procedimento cirúrgico realizado através de uma pequena incisão perto do umbigo e na parte inferior do abdômen, com introdução de um dispositivo chamado laparoscópio, usado para ver as trompas de Falópio. O médico pode usar anéis ou clips para fechar as trompas. Outra possibilidade é cauterizar as mesmas através de calor.

Mini-laparotomia

A mini-laparotomia é um procedimento cirúrgico feito imediatamente após o parto ou até dois dias depois. O médico faz uma pequena incisão no abdômen e, em seguida, remove uma parte das trompas de Falópio de cada lado. O procedimento não deve ser feito muitos dias após o parto para que o útero ainda esteja grande, o que facilita a cirurgia.

Laqueadura tubária histeroscópica

A laqueadura tubária histeroscópica é uma laqueadura sem cirurgia, que pode ser feita fora de ambiente hospitalar, apenas com anestesia local. Esse tipo de laqueadura é feito por via endoscópica, através da vagina.

(Fonte de pesquisa: https://www.mdsaude.com/)


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Como é a recuperação?

Após a laqueadura é recomendado que a paciente fique em repouso e tenha uma alimentação adequada para ajudar na cicatrização. A paciente não pode realizar atividades intensas, nem carregar peso, evitar ter relações sexuais, deve suspender as atividades físicas podendo realizar apenas caminhadas leves para favorecer a circulação sanguínea mas com orientação médica.

No entanto, caso surja algum sintoma anormal como sangramento ou dor excessiva o ginecologista deve ser informado e uma avaliação deve ser feita.

Quais as complicações que podem ocorrer?

Apesar da laqueadura ser um procedimento muito seguro, como qualquer outra cirurgia ela pode ter alguns riscos. A taxa de complicação para laqueadura por laparoscopia e por mini-laparotomia é de 0,1%, e as complicações podem ser infecções, lesões, hemorragia interna ou problemas relacionados à anestesia.

Uma outra complicação seria a própria gravidez ( no caso indesejada), ou seja, estudos mostram que menos de 1% das mulheres acabam engravidando, o grande problema é que geralmente é uma gravidez ectópica (gravidez tubária), por isso toda mulher que realizou laqueadura deve procurar um ginecologista caso tenha qualquer atraso menstrual.

É possível fazer reversão?

Como já mencionado a laqueadura é uma esterilização definitiva, portanto a reversão não é uma opção. Em alguns casos, até é possível fazer a reversão, mas é um procedimento muito mais complexo que a da ligadura das trompas e envolve mais riscos. Sendo sua taxa de sucesso de apenas 20%.

Portanto é muito importante que a mulher esteja muito convicta da sua escolha na hora de tomar essa decisão.

Perguntas frequentes

Quais são os requisitos para fazer laqueadura pelo SUS no Brasil?

Para realizar a laqueadura pelo SUS, a mulher precisa ter mais de 25 anos ou ter pelo menos dois filhos vivos. Além disso, deve assinar uma declaração confirmando a decisão e participar de uma reunião com equipe multidisciplinar. Após essa reunião, existe um prazo de 60 dias antes de iniciar o procedimento, garantindo que a paciente esteja plenamente ciente da decisão.

Como é feita a laqueadura e quanto tempo dura o procedimento?

A laqueadura é uma cirurgia simples realizada pelo ginecologista, com duração de 40 minutos a 1 hora. Pode ser feita por laparoscopia (pequenos furos no abdômen), por mini-laparotomia (pequena incisão logo após o parto) ou por via histeroscópica (sem cirurgia, pela vagina, com anestesia local). Em todos os casos, as trompas são fechadas para impedir a fertilização.

Como é a recuperação após a laqueadura?

A recuperação exige repouso, alimentação adequada e restrição de atividades físicas intensas, carregamento de peso e relações sexuais. Caminhadas leves são permitidas com orientação médica para favorecer a circulação. Caso surjam sintomas como sangramento excessivo ou dor fora do esperado, é importante contatar o ginecologista imediatamente para avaliação.

A laqueadura tem efeitos no ciclo menstrual ou protege contra DSTs?

Não. A laqueadura não interfere no ciclo menstrual, pois a ovulação continua ocorrendo normalmente. Também não oferece nenhuma proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O procedimento apenas impede que os espermatozoides alcancem o óvulo, funcionando exclusivamente como método contraceptivo.

Quais são as complicações possíveis da laqueadura?

A taxa de complicações é baixa, cerca de 0,1%, e pode incluir infecções, lesões, hemorragia interna ou problemas com a anestesia. Existe também risco de gravidez em menos de 1% dos casos, sendo frequentemente ectópica (tubária). Por isso, toda mulher que realizou laqueadura deve consultar um ginecologista imediatamente diante de qualquer atraso menstrual.

A laqueadura tem reversão? Qual a taxa de sucesso?

A laqueadura é considerada um método permanente e sua reversão é muito difícil. Em alguns casos é tecnicamente possível, mas o procedimento é mais complexo e arriscado do que a própria laqueadura, com taxa de sucesso de apenas 20%. Por isso, é fundamental que a mulher esteja completamente convicta da decisão antes de realizar o procedimento.